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MENSAGEM

2019, o ano bipolar

23.12.2019

 

Juliano Ribeiro Almeida

Bem que tentamos fugir da polarização direita-esquerda ou conservador-progressista. Mas 2019 foi um ano em que ficou provado que, infelizmente, no Brasil de hoje não é mais possível ser politicamente imparcial sem ser hipócrita ou esquizofrênico. Vamos aos fatos.

O governo Bolsonaro, desde seu início, há um ano, foi explícito em seguir a pauta ideológica ultraconservadora em todas as áreas, menos na economia, onde tem sido liberal. Este governo não acredita nas evidências científicas do aquecimento global e tem feito manobras muito claras para desviar o Brasil do esforço de diminuição da emissão de carbono; enfraquece propositalmente a fiscalização do desmatamento e minimiza a gravidade do mesmo; agride as ONG’s que defendem a Amazônia; foi à luta explicitamente em favor de grileiros, garimpeiros, madeireiros e pecuaristas, posicionando-se firmemente contrário a demarcações de terras indígenas.

Por outro lado, a Igreja católica já se posicionou oficialmente, diversas vezes, sobre o seríssimo problema do aquecimento global. A carta encíclica Laudato Si’ (2016) e o Sínodo sobre a Amazônia (2019) foram importantíssimas iniciativas do Romano Pontífice na direção diametralmente oposta à de Bolsonaro (e Francisco não inventou nada, mas seguiu o caminho já trilhado por seus antecessores). Da mesma forma, a Conferência Episcopal do Brasil e a da América Latina têm, nos últimos anos, promovido campanhas e publicado documentos oficiais no mesmo sentido. Portanto, vamos ser bem objetivos: os católicos precisam decidir se estão do lado do sucessor de Pedro em comunhão com o colégio universal dos bispos, ou se preferem seguir as orientações do sr. Jair Bolsonaro, que de católico só tem o nome, como já ficou evidente. Uma observação importante: estar do lado da Igreja, neste caso, significa estar também do lado das ciências e da imensa maioria dos intelectuais de todas as áreas, que têm abominado o conjunto da obra do presidente.

E a discrepância não é apenas em assuntos ecológicos: Bolsonaro minimiza problemas socioculturais gravíssimos como racismo, xenofobia, machismo, feminicídio, homofobia. Bolsonaro diz abertamente que seu governo é para a maioria. No entanto, o Compêndio da Doutrina Social da Igreja católica ensina que “aqueles que têm responsabilidade de governo estão obrigados a interpretar o bem comum do seu País não só segundo as orientações da maioria, mas também na perspectiva do bem efetivo de todos os membros da comunidade civil, inclusive dos que estão em posição de minoria” (n. 169). Um outro exemplo: Bolsonaro se diz a favor da tortura praticada pelo regime militar. A Igreja define a “proibição da tortura como um princípio que em circunstância alguma se pode abolir” (Compêndio da DSI, n. 404).

Portanto, um católico que quiser estar em plena comunhão com a Igreja está obrigado a discordar de Bolsonaro nessas questões acima, assim como um simpatizante dos governos anteriores também rompia a comunhão eclesial se concordasse com atos que legitimassem o aborto, por exemplo. Sendo a política “a arte do possível”, como escreveu Bismarck, numa eleição, o católico deve escolher um candidato seguindo os ditames de sua consciência à luz do magistério da Igreja, sendo inevitável, na quase totalidade dos casos concretos, que se tenha de escolher o “mal menor”. Este critério deve continuar iluminando o católico durante o exercício do mandato, caso seu candidato tenha vencido, o que o obriga a não aderir a um governo sem as devidas reservas. Submissão irrestrita, só ao Papa!

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